A UNICIDADE DE CRISTO

Depois de se abandonar dois extremos opostos, um rejeitando qualquer diálogo inter-religioso e o outro todo trabalho missionário e evangelístico, pode-se afirmar que existem actualmente nos meios considerados cristãos pelo menos 3 posições quanto à unicidade de Cristo: o “exclusivismo”, o  “inclusivismo” e o “pluralismo”, cada qual abrangendo tendências variadas. 
O exclusivismo enfatiza a unicidade de Cristo como único Salvador, a descontinuidade entre o Cristianismo e as outras religiões, dando primazia ao evangelismo. 
O inclusivismo por sua vez enfatiza que, apesar de Jesus permanecer “normativo”, o poder salvífico de Deus não está confinado. As outras religiões podem ser precursores do evangelho. Clark H. Pinnock afirma que os que nunca ouviram podem encontrar Jesus Cristo mesmo após a morte.   
Por outro lado, o pluralismo enfatiza que as diferentes religiões são respostas determinadas culturalmente à revelação de Deus. Portanto apregoa um vasto relacionamento ecumênico onde as verdades de cada religião possam ser vistas como complementares entre si. 
John Hick e Paul Knitter abandonaram tanto o exclusivismo quanto o inclusivismo e abraçaram o pluralismo entendido como “paridade”, ou seja, o reconhecimento da independente validade das outras religiões.   Este pluralismo requer de nós que abandonemos o conceito de revelação; que abandonemos a crença de que em Cristo Deus mostrou algo normativo, exclusivo ou final; e que nos rendamos ao relativismo, até mesmo nos arrependendo de nossa afirmação da unicidade de Cristo como uma forma de idolatria!
De qualquer forma Hick e Knitter deixam claro o ponto em questão. Se refere a Cristo. O pluralismo que defendem é depreciativo a Cristo. Só pode ser apoiado por aqueles que estão preparados para diminuir Sua estatura, na verdade negar como Ele é retratado no Novo Testamento. Portanto a questão diante de nós não se refere a religião ou religiões, mas sim a Cristo.

Não há salvação em nenhum outro nome

Verificamos a unicidade de Cristo no Seu nascimento, morte e ressurreição. Foi concebido pelo Espírito Santo, nascido da virgem Maria e portanto é Deus e homem. Morreu por nossos pecados, no nosso lugar, para assegurar a nossa salvação. Ressuscitou, portanto conquistou a morte e possui autoridade universal. Para expressar esses eventos históricos teológicamennte, podemos dizer que a unicidade de Cristo se apoia na Encarnação, na Expiação e na Exaltação, cada qual sem paralelismo.

A Encarnação

Iniciemos com a encarnação de Deus em Jesus Cristo. O Filho ou a Palavra eterna de Deus se tornou carne, se assemelhando a nós em nossa humanidade. Como um ser humano Ele viveu na Terra por um período. Como consequência, o povo viu a Sua glória, e vendo-O viram o Pai (João 1:14, 18; 14:9). Portanto o Pai deu ao mundo em e através de Seu Filho encarnado uma revelação histórica única de Si mesmo.

A Expiação

Podemos afirmar que a Encarnação objetivava a Expiação; Seu nascimento vislumbrava a sua morte. O próprio nome “Jesus” testemunha da salvação de Deus que Ele veio proporcionar.  
O Cristianismo é em sua essência uma religião de resgate, e o resgate foi obtido a um custo enorme. O evangelho nos conta de um Deus amoroso que recusou ou fazer vistas grossas ao pecado ou imputá-lo sobre nós. Ao contrário, tomou a iniciativa de vir até nós, insistindo em nós até a desoladora vergonha e agonia da Cruz. Lá Deus em Cristo tomou o nosso lugar, suportou os nossos pecados, sofreu a nossa penalidade e morreu a nossa morte, para nos perdoar, reconciliar e recriar.
Não há nada semelhante, nem parecido, em outras religiões. 
De formas diferentes e com diferentes ênfases, todas as religiões do mundo proclamam a possibilidade de auto-salvação. Sómente o evangelho proclama a salvação através do mérito de outro, que pagou o preço do pecado num acto histórico de auto-sacrifício único. Nas religiões, os homens se esforçam para de algum modo alcançar a Deus, mas sómente no evangelho vemos Deus vindo ao encontro de Suas criaturas, numa manifestação clara de Seu desejo salvífico universal.

A ressurreição  

A ressurreição é única. Ocorreram algumas ressuscitações – 3 das quais atribuídas a Jesus nos evangelhos, 2 aos apóstolos em Actos (uma a Pedro e outra a Paulo), e outras foram atribuídas ao período pós-apostólico da Igreja. Mas aconteceu sómente uma ressurreição, particularmente a de Jesus Cristo! Através dela Deus ‘vindicou’ a Jesus, derrotou a morte e inaugurou Sua nova criação.
Adicionalmente, a ressurreição de Jesus da morte foi o inicio da Sua exaltação como Senhor. O estar à direita de Deus é um simbolo muito claro do lugar de suprema honra e autoridade. Seu nome está acima de todo nome (Fil. 2:9); Jesus é digno de adoração. Por causa de Sua autoridade pré-eminente, Ele é capaz de salvar, de perdoar os nossos pecados, e derramar o Seu Espírito sobre nós (Actos 2:33, 38). Ainda mais, o ministério do Espírito Santo é hoje exercido com relação a Cristo, como Ele mesmo predisse.
O Espírito glorifica a Cristo, fazendo Sua glória conhecida (João 16:13). O Espírito dá testemunho de Cristo, para que creiam n’Ele (João 15:26). O Espírito universaliza a Cristo, tornando-O disponível a todos em toda parte (João 16:7, 8). O Espírito torna a habitação de Cristo em nós uma realidade pessoal (João 14:17; Rom. 8:9; Ef. 3:16).

Implicações

Acima está portanto, descrito este aspecto “triplo”da unicidade de Cristo. Históricamente se apoia em Seu nascimento, morte e ressurreição, e teológicamente na Sua Encarnação, Expiação e Exaltação. De facto, porque em nenhuma outra pessoa mas apenas no histórico Jesus de Nazaré Deus se tornou homem e viveu uma vida humana na terra, tendo morrido para levar nossa penalidade pelo pecado e depois ressurgido dos mortos e exaltado em glória, não há outro Salvador, pois não há outra pessoa qualificada para salvar! Portanto devemos dar peso total às afirmações do Novo Testamento a respeito da unicidade e finalidade de Cristo.
“Eu sou o caminho, e a verdade e a vida. Ninguém vem ao Pai a não ser por mim” (João 14:6). “Não há salvação em nenhum outro, pois, debaixo do céu não há nenhum outro nome dado aos homens pelo qual devamos ser salvos” (Actos 4:12). “Pois há um só Deus e um só mediador entre Deus e os homens: o homem Cristo Jesus, o qual se entregou a si mesmo como resgate por todos.” (I Tim. 2:5, 6). Sómente um caminho, sómente um nome, sómente um mediador!  Cristologia baseada na Trindade, Trindade que não deve ser encarada sómente como um mistério, mas sim como uma necessidade lógica para entendermos esse mundo (unidade na diversidade na sua primeira causa).
As implicações de todo o exposto são óbvias. O que é genuinamente único tem significado universal e deve portanto ser feito universalmente conhecido. John Stott menciona citação do Dr. Visser’t Hooft: “não existe universalidade se não existe um evento único”.  Portanto, unicidade e universalidade andam juntas! E é porque Jesus Cristo é o único Salvador que estamos debaixo da obrigação de proclamá-Lo em todos os lugares. O “inclusivismo” da missão é precisamente devido ao “exclusivismo” do Mediador. E mais, a Ele foi dada autoridade universal sobre as nações; e esta é a razão pela qual Ele nos comissiona a ir e fazer discípulos de todas as nações (Mateus 28: 18-20). Todavia, cremos que a comunicação da unicidade de Cristo deve trilhar o caminho do diálogo inter-religioso criativo (persuasão), no qual o compartilhamento da verdade em espírito de humildade deve ser a tônica dominante, confiando-se na actuação sobrenatural do Espírito Santo na obra de conversão das pessoas a Cristo.

(AR, Fev. 2002)

One Comment to “A UNICIDADE DE CRISTO”

  1. Parabéns pelo texto, muito bom e esclarecedor. Cumprimentos.

Deixe uma Resposta

Preencha os seus detalhes abaixo ou clique num ícone para iniciar sessão:

Logótipo da WordPress.com

Está a comentar usando a sua conta WordPress.com Terminar Sessão / Alterar )

Imagem do Twitter

Está a comentar usando a sua conta Twitter Terminar Sessão / Alterar )

Facebook photo

Está a comentar usando a sua conta Facebook Terminar Sessão / Alterar )

Google+ photo

Está a comentar usando a sua conta Google+ Terminar Sessão / Alterar )

Connecting to %s

%d bloggers like this: